Resenha de Linguagem de sinais, de Luiz Schwarcz + algumas coisinhas

Como prometido (e com um pequeno atraso), quero dividir com vocês as minhas impressões sobre três dos livros que li ano passado. São eles: Criança 44, de Tom Rob Smith, Indícios flutuantes, de Marina Tsvetáieva e Linguagem de sinais, de Luiz Schwarcz — que é por onde começo.

Linguagem de sinais era para ser um romance que, por força da vida (e dos outros editores da Companhia das Letras), foi se picotando em pequenos fragmentos, transformando-se num livro de contos (11 contos, na verdade) que orbitam  em volta de temas em comum.

Na época que comprei o livro (no lançamento), eu estava meio viciada no Luiz Schwarcz. Como leitora, sou fã de muitos escritores. Como editora assistente, sou fã de muitos editores. Seus trabalhos me interessam, suas histórias, enfim… a trajetória pela profissão que amo. Eu estava lendo muita coisa sobre o Schwarcz e a Companhia quando comprei esse livro. Queria ver como anos de edição de textos poderiam se refletir na escrita. Não me decepcionei!

Lajos, o personagem central no primeiro conto (que, de uma forma ou de outra, nos acompanha por quase todo livro), descreve uma viagem de avião para Portugal. O que seria um voo normal torna-se um passeio pela vida de Lajos quando um senhor com Alzheimer impede que o voo decole. Na interrupção causada pela confusão que se instaura no avião graças a esse senhor, Lajos vai nos contanto sobre sua infância, seu casamento fracassado, sua ex-mulher, Antônia.

Antônia também é ponto fundamental na interessante arquitetura de Linguagem de sinais. Ela, nos conta Lajos, trabalhava com deficientes auditivos e era fascinada por Beethoven e Goya, bem como pela linguagem de LIBRAS, que logo reconhecemos no título do livro.

As reflexões de Lajos encontram em Antônia um enigma: ele mesmo não entende porque casou-se com ela, ou mesmo como pode estar tanto tempo nesse relacionamento. E, partindo da sua infeliz vida conjugal, ele revê suas outras relações afetuosas, principalmente como elas existiam no passado. As coisas que aconteceram e que não podem ser revividas ou mudadas ecoam o tempo todo na escrita de Schwarcz, permeando com ternura (e esse foi o sentimento que mais senti em cada conto) o pequeno livro.

Destoa muito dessa construção, o conto “O síndico”. Nele, duas garotas que dividem um apartamento sentem-se seguidas pelo síndico do condomínio. Não entendi exatamente o que esse conto faz dentro de Linguagem de sinais. Talvez valha ler novamente, daqui um tempo, e tentar apreender… mas, já digo, foi o conto que não gostei.

A surdez, o judaísmo e as relações familiares são temas centrais que, graças ao engenho do autor, ligam os pontos de cada conto. Dessa forma, é impossível ler uma história só. As narrativas se conectam de forma sutil. A escrita e Schwarcz é leve, bem fluida e, em certos momentos, atinge um tom poético encantador. Há passagens que realmente me fizeram refletir como seria o romance que fora abandonado pelo autor. Bem, não sei se um dia saberemos. Mas o que posso afirmar é a recomendação que já havia feito no vídeo a respeito do livro. A leitura é rápida, os contos são breves. A intimidade que alcançamos com os personagens é quase imediata. A linguagem de sinais, imediatamente ligada à surdez, recebe, então outra conotação. Paramos para pensar nos sinais que recebemos durante a vida, como nos comunicamos além das palavras…

Recomendo MESMO.

 

Detalhes

Linguagem de sinais, de Luiz Schwarcz.

Companhia das Letras, 2010.

103 páginas.

Preço sugerido: R$33,00

 

 

Outras coisinhas

Recebi logo cedo, por minha amiga Josi, esse vídeo FOFO, em stop motion, Já viram?

Fofura, né?

 

 

E também, recebi pelo facebook, a lista dos prováveis lançamentos de 2012 das principais editoras. A gente sabe que muito se promete, mas nem tudo se consegue cumprir quanto a prazos na área editorial. Há um monte de fatores que podem prejudicar um andamento… mas se tudo sair como esperado, os lançamentos de 2012 estão aqui, no Casmurros. (Obrigada pela dica, Katrina!).

 

É isso, gente. Ainda essa semana, as outras 2 resenhas!

 

 

 

 

 

 

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Novidades: livros novos, leituras atuais e um vídeo!

Eeeee, meu primeiro vídeo!

A qualidade não tá incrível, mas vou melhorar!

E eu errei algumas informações, mas já coloquei uns comentários no vídeo com tudo certinho. =)

UPDATE: Os comentários estão todos perfeitos agora. Finalmente!

Espero que vocês gostem!

Vou colocar as resenhas dos 3 livros essa semana.

Depois me digam se gostaram do vídeo, tá?

Pretendo ainda fazer um pro desafio literário de Janeiro! Tô animada!

Momento retrô (atrasado)

Eu sei, tô quatro dias atrasada pra por no ar minha retrospectiva literária, mas aqui ela está.

Confesso que até pensei em desistir, mesmo porque não tenho livro para todas as categorias, MAS venci essa preguicite e aqui está.

  • O terror que me deixou sem dormir: Não sei se vale como terror, mas li Macbeth, de Shakespeare, esse ano. Amei. A peça é muito cativante e eletrizante! Não dá pra soltar!
  • O suspense mais eletrizante: Criança 44, do Tom Rob Smith. Sem dúvida, o livro mais eletrizante que li em 2011!
  • O romance que me fez suspirar: Não é bem uma lovestory, mas me fez suspirar, E MUITO. O Amante de Lady Chatterley. É tido até como “literatura erótica”, por ser tão moderno em relação às cenas de sexo e audacioso por falar da traição, mas envolve muito contando a história de um amor proibido.  
  • O clássico que me marcou: Mãe, de José de Alencar. É uma peça incrível, forte e emocionante escrita pelo PAI do nosso romantismo. Literatura de primeira!
  • O livro que me fez refletir: Dentes Guardados, do Daniel Galera. O livro é forte, cheio de contos sobre as relações afetuosas entre as pessoas. É o primeiro livro do Galera e você pode baixá-lo de graça do site dele, o Rancho Carne
  • O livro que me fez chorar: a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe. Livro mais lindo de 2011. Sem dúvidas. De uma sensibilidade terna. 
  • O livro que me decepcionou: Sonata a Kreutzer, do Tolstói. Eu estava planejando essa leitura tinha meses, mas não gostei muito e larguei no meio. Acho que ainda não é hora desse encontro (tenho uma teoria sobre isso, depois conto mais!)
  • O livro que me surpreendeu: Linguagem de Sinais, do editor e dono da Companhia das Letras, Luis Schwarcz. Surpreendeu pela sinceridade da prosa, com um ar moderno, contos intercalados. Não esperava tanta honestidade de espírito num autor que eu julgava ser “só” competente na técnica. 
  • O melhor livro que li em 2011: Indícios flutuantes, de Marina Tsvetáieva. Poesia russa da mais fina flor. 
  • Li em 2011, (+/-) 11 livros.  Não tenho o numero correto, que coisa!
  • A minha meta literária para 2012 é: 14 livros (tirando os livros que tenho que ler para o trabalho)
  • E quero acrescentar aqui, se é que o pessoal do Pensamento Tangêncial não vai brigar comigo, o livro de ensaios que mais amei em 2011 foi A beleza salvará o mundo, do Tzvetan Todoróv, sobre as vidas de Oscar Wilde, Rilke e Marina Tsvetáieva. Coisa LINDA e poética. 
Bem, não é lá AQUELA retrospectiva, mas deu pra lembrar com gostinho as coisas bacanas que li em 2011.
Pra 2012, muita coisa bacana se anuncia e vou contando tudo por aqui!
Vou fazer a resenha do primeiro livro de 2012 ainda essa semana e AMANHÃ já tem post LINDO sobre um dos meus assuntos prediletos… venham ver!
E UM 2012 CHEIO DE AMOR, PAZ, FÉ E ARTE PRA TODOS NÓS!