Resenha DL de Janeiro: Julie & Julia

Bem, hoje já é dia 27, eu devo ser uma das retardatárias do desafio, maaaas tudo bem! Porque aqui está minha resenha + vídeo (!!!) do livro (gourmet) que li nesse mês.

Julie & Julia

Por Julie Powell

Julie Powell é uma texana, de 29 anos, casada com Eric (com quem começou a namorar na escola!), mora em Nova Iorque e está cansada da sua vida. Está cansada de estar chegando aos trinta, está cansada das cobranças, principalmente para que tenha um filho, está cansada do trabalho sem graça, está cansada da casa longe e desarrumada… e decide que precisa mudar algo. Dentro dela mesma. Mas não tem ideia de que desafio pode propor a si mesma para sacudir essa vidinha besta, meu Deus!

Pois bem, um dia, na casa de sua mãe, no Texas, de pijamas, reclamando da vida, Julie se depara com Mastering the art of french cooking. Um livrão, com 524 receitas, escrito nos anos 1950 por Julia Child. O livro foi o grande “guia” da culinária francesa para as donas de casa americanas da segunda metade do século XX.

Agora, quem é Julia? Pelo que entende-se do livro, eu já deveria saber! Julia Child foi uma mulher extremamente conhecida (nos EUA, claro) por seu talento culinário. Ela chegou a ter um programa da televisão, quando voltou para os Estados Unidos. Mas eu não sabia nada disso. E acho que ninguém que não seja obcecado por comida francesa sabe quem foi essa dita-cuja!

Julie narra sua história em 1a pessoa. Ela é histérica, super emocional e vive uma montanha-russa de sentimentos com esse projeto. Ao mesmo que é instável emocionalmente, Julie é super determinada, corajosa e perseverante. Eu mesma, tenho que dizer, não aguentaria fazer um terço das receitas doidas desse livro!

O livro conta a história das duas. A de Julie é contada mais detalhadamente, quase que receita a receita, neura a neura, crise a crise, baseada nos fatos e nos textos do blog, que Julie montou para o desafio Julie/Julia. A vida de Julia, no entanto, é bem rasa. Somente pequenos trechos nos dão uma pequena ideia de quem era essa mulher tão arrebatadora.

Os personagens secundários são apaixonantes. Gostei mais deles do que da protagonista, confesso. Porém, eles são pouquíssimo explorados. Gwen, Sally e Isabel, as três grandes amigas de Julie, são, de certa forma, influenciadas por esse ano “gastronômico” de Julie e também decidem colocar um… tempero novo em suas vidas. Nada, porém, é tratado com profundidade e gente deixa de ler sobre essas garotas contra a nossa vontade.

Gostei muito do fundo histórico do enredo. A Julie trabalha numa repartição do governo em Nova Iorque, em 2002, isto é, um ano após os atentados de 11 de setembro. E esse “luto” americano é bem forte no livro.

E, um ponto muito bacana, é a relação que a Julie cria com pessoas do mundo todo pelo blog. O blog é fundamental para que ela consiga ver sentido, não só no projeto, mas na vida dela de uma forma mais ampla.

Leitura bem leve e rapidinha de fazer. É bem gostoso, vai dando água na boca, tem momentos engraçados e outros mais reflexivos que, em vários momentos, alcançam até mesmo aqueles que nunca esquentaram a barriga no fogão!

Trecho

Quando Julia fazia crepes nos programas de televisão, ela simplesmente os arremessava para o alto com um movimento brusco da frigideira, não muito diferente da manobra que ela usava para virar omeletes. Eu simplesmente havia concluído que isso era uma ideia maluca. Entretanto, depois de meia hora de gritos e xingamentos, raspando crepes grudados e jogando-os no lixo, parei diante do forno, lambendo o dedo, e pensei: bem, por que não? Afinal, que mal haveria, certo?

— Eric! Ai meu Deus, Eric! Corre aqui!

Eric passara a se esconder durante as sessões de crepe, e relutou em aparecer na cozinha, certo de que estava a ponto de ser sugado em um ataque de fúria.

— O que foi querida?

— Olha isso!!!

Eric ficou do meu lado e viu quando, com um gesto decidivo, fiz o meu belo crepe dourado girar no ar e cair de volta na frigideira.

— Puta que pariu, Julie!

(p. 257)

Capinha feeeeia com o poster do filme. Vocês também não odeiam essas capas?

Detalhes

Julie & Julia, de Julie Powell.

2005

Ed. Record

Preço que comprei (aqui): R$ 39,90 (salgadinho, né?)

Momento retrô (atrasado)

Eu sei, tô quatro dias atrasada pra por no ar minha retrospectiva literária, mas aqui ela está.

Confesso que até pensei em desistir, mesmo porque não tenho livro para todas as categorias, MAS venci essa preguicite e aqui está.

  • O terror que me deixou sem dormir: Não sei se vale como terror, mas li Macbeth, de Shakespeare, esse ano. Amei. A peça é muito cativante e eletrizante! Não dá pra soltar!
  • O suspense mais eletrizante: Criança 44, do Tom Rob Smith. Sem dúvida, o livro mais eletrizante que li em 2011!
  • O romance que me fez suspirar: Não é bem uma lovestory, mas me fez suspirar, E MUITO. O Amante de Lady Chatterley. É tido até como “literatura erótica”, por ser tão moderno em relação às cenas de sexo e audacioso por falar da traição, mas envolve muito contando a história de um amor proibido.  
  • O clássico que me marcou: Mãe, de José de Alencar. É uma peça incrível, forte e emocionante escrita pelo PAI do nosso romantismo. Literatura de primeira!
  • O livro que me fez refletir: Dentes Guardados, do Daniel Galera. O livro é forte, cheio de contos sobre as relações afetuosas entre as pessoas. É o primeiro livro do Galera e você pode baixá-lo de graça do site dele, o Rancho Carne
  • O livro que me fez chorar: a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe. Livro mais lindo de 2011. Sem dúvidas. De uma sensibilidade terna. 
  • O livro que me decepcionou: Sonata a Kreutzer, do Tolstói. Eu estava planejando essa leitura tinha meses, mas não gostei muito e larguei no meio. Acho que ainda não é hora desse encontro (tenho uma teoria sobre isso, depois conto mais!)
  • O livro que me surpreendeu: Linguagem de Sinais, do editor e dono da Companhia das Letras, Luis Schwarcz. Surpreendeu pela sinceridade da prosa, com um ar moderno, contos intercalados. Não esperava tanta honestidade de espírito num autor que eu julgava ser “só” competente na técnica. 
  • O melhor livro que li em 2011: Indícios flutuantes, de Marina Tsvetáieva. Poesia russa da mais fina flor. 
  • Li em 2011, (+/-) 11 livros.  Não tenho o numero correto, que coisa!
  • A minha meta literária para 2012 é: 14 livros (tirando os livros que tenho que ler para o trabalho)
  • E quero acrescentar aqui, se é que o pessoal do Pensamento Tangêncial não vai brigar comigo, o livro de ensaios que mais amei em 2011 foi A beleza salvará o mundo, do Tzvetan Todoróv, sobre as vidas de Oscar Wilde, Rilke e Marina Tsvetáieva. Coisa LINDA e poética. 
Bem, não é lá AQUELA retrospectiva, mas deu pra lembrar com gostinho as coisas bacanas que li em 2011.
Pra 2012, muita coisa bacana se anuncia e vou contando tudo por aqui!
Vou fazer a resenha do primeiro livro de 2012 ainda essa semana e AMANHÃ já tem post LINDO sobre um dos meus assuntos prediletos… venham ver!
E UM 2012 CHEIO DE AMOR, PAZ, FÉ E ARTE PRA TODOS NÓS!

Eu participo: desafio literário

Eu nem imaginava que existiam tantos blogs voltados para o mundo dos livros. Tem blog pra tipos expecíficos de literatura, tem blog pra falar de capas de livro, cada editora tem um blog, tem blog de resenhas em geral… enfim! Uma infinidade de gente postando diariamente sobre os livros que leu (ou viu, ou não leu, ou qualquer coisa!).

E, também, tem blog que propõe desafios e organiza leituras de quem quiser participar. Penso que essa é uma forma bacana de incentivar a leitura, de ajudar a formar um hábito.

NO ENTANTO, eu mesma nunca havia participado de nenhum desafio online. E, já que fim de ano é época boa pra novas resoluções, em 2012 participarei do Desafio Literário. Quem se anima?

O desafio funciona assim: cada mês do ano tem um tema e cabe ao desafiante escolher um livro que se encaixa no que foi proposto. Então, é preciso entrar no site, cadastrar-se (os cadastros serão reabertos em JANEIRO) e começar. A leitura mínima é de 12 livros (um por mês, claro!). Eu fiz uma listinha, NADA definitiva, do que pretendo ler NO PRIMEIRO SEMESTRE de 2012 pro Desafio. Quem sabe, assim não animo mais gente a participar, né? =)

EIS:

1) JANEIRO – Literatura culinária (algum romance/contos com um pé na cozinha).

Confesso que foi um dos temas que menos me interessou e um dos quais não tenho a menor familiariedade. Mas como o ideal é se aventurar pelo desconhecido, vamos lá.

Primeira opção: Afrodite – contos, receitas e outros afrodisíacos, Isabel Allende.

Segunda opção: Julie e Julia, Julie Powel.

2) FEVEREIRO – Nome próprio

Nossa, aqui me sobram opções. O nome da personagem deve ser o título, mesmo que acompanhado de um pronome de tratamento ou algo que o valha. Tenho mil ideias.

Primeira opção: Madame Bovary, Flaubert

Segunda opção: Anna Karênina, Tolstói

Terceira opção: Padre Sérgio, Tolstói

(Aqui, preferi algo mais canônico, que é o que mais tenho curtido ler. Mas vale algo mais moderno, claro!)

3) MARÇO – Serial Killer

Outro gênero que conheço pouco. Li esse ano um que amei, chama Criança 44, do Tom Rob Smith. AMEI. Mas, como não pode repetir livro, tô só com uma opção em março, por enquanto.

Primeira (e única, até agora) opção: Silêncio dos inocentes, Thomas Harris.

Alguém indica mais algum?!

4) ABRIL – Escritor oriental

Nunca li nada do oriente (bem, não tô contando como “oriental” a literatura russa). E não tenho muito ideia do que ler aqui. Vou ter que pesquisar…

Tô, agora, sem opções.

5) MAIO – Fatos históriocs

É aquele tipo de enredo que tem como pano de fundo algum momento significativo da história (e para o enredo!). Eu curti bastante esse tema, mas ainda não tenho certeza de que livro vou ler.

Primeira opção: Exército de cavalaria, Isaac Bábel (tem como pano de fundo a guerra civil e a revolução russa). AMO RUSSOS!

Segunda opção: Por que os sinos dobram, Ernest Hemingway (período histórico: guerra civil espanhola).

6) JUNHO – Viagem no tempo

De longe, o tema mais distante de tudo que já li! Nunca li ficção científica, conheço pouquíssimo e nunca foi lá meu forte… MAS, vou encarar! E VOU COM CLASSE, SEM TITUBEAR (gostaram dessa, hein? Titubear, hshshs), DECIDIDA.

Opção ÚNICA: O fim da eternidade, de Isaac Asimov.

Dizem (quer dizer, vejo sempre a Luara dizer) que o Assimov é animal, que é um mestre contemporâneo da ficção científica e tal. Vou nele!

7) JULHO – Prêmio Jabuti

Julho, mês de  FLIP (da qual falei mais logo, logo), é mês de leitura nacional. Tem que ser uma obra já indicada (tendo vencido, ou não) às categorias ROMANCE ou LIVRO DO ANO. A melhor fonte para essa informação está aqui, no site da CBL. A quantidade de títulos é GIGA. Pensei, A PRINCÍPIO, nos seguintes:

Primeira opção: O Filho Eterno, Cristovão Tezza

Segunda opção: Cordilheira, Daniel Galera

Terceira opção: Nove Noites, Bernardo Carvalho

…e outras podem surgir!

Essa é a lista que quero seguir no primeiro semestre de 2012. Vou postando aqui mais sobre os livros e as resenhas!

E aí, alguém se animou? Comente sua lista!

É pra aproveitar as promessas (quase sempre furadas) de fim de ano e anotar no caderninho: em 2012, vou ler MAIS. E não furar!

AH! Tem mais listas para inspiração no Isaac Sabe e no Quinas e Cantos, além do próprio blog do Desafio que já deixei linkado no início do post!