Hey, hey, hey!

Nota

Estou de volta depois de uma pequena ausência (pequena?) que me foi imposta pelas veredas da vida. E, bem, depois de uns dias de muito caos, estou de volta. Feliz da vida. Alegria que não cabe no peito. E sensação de que ainda tenho o mundo todo pra percorrer. A vida toda diante de mim.

Maaaas, falemos de livros, não? Afinal, é pra isso que a gente está aqui!

Estou preparando uns posts bem bacanas e espero que vocês curtam (os vídeos estão nos planos, claro!!).

Enquanto não blogo o que prometo, deixo vocês com uma listinha de lançamentos interessantes que vi essa semana nas andanças nas livrarias.

Estou numfever de ler clássicos. E Joyce a Virginia (com seus respectivos domínios públicos) estão ululando nas prateleiras. E eu desejo!

Ulysses (Penguin-Companhia), do Joyce.

A edição está um primor! O preço é bom (na Livraria Cultura chega na casa dos trinta reias!), mas o comprometimento tem que ser de fôlego. São 1112 páginas na vida de um cara. Mas, pensando bem, não sei… acho que preferia ter um clássico desses em capa dura, edição luxo… mesmo que seja um pouco mais caro. Tem livro que merece, né?

Mrs. Dalloway (CosacNaify), da Woolf

Sou suspeitíssima para falar sobre essa coleção, Mulheres Modernistas, que a Cosac mantém há muitos anos. Não é a primeira vez que eles lançam Virginia Woolf (quem não tem ama/cobiça/tem aquele livrão de capa vermelha, tão amado?), mas capricharam nessa edição da Dalloway. O livro não é tão extenso e o design é super convidativo. E, quem sabe, não vale a pena aproveitar pra levar outra mulher modernista pra casa? Fiquei de olho na Blixen (Sete narrativas góticas) e também na Gertude Stein (todos!!!).

Vamos acompanhar cenas dos próximos capítulos (próximas compras, próximas leituras…)

AH! Não me esqueci: tô devendo resenhas! Li cada coisa linda ❤

Beijos e até ja-já!

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Resenha de A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Pacientes leitores, eu não morri, mas me ausentei do blog, muito infelizmente. Claro que os culpados são os de sempre (trabalho, correria, trabalho, trabalho…), mas tô com mais uma tarefa que está me enlouquecendo: conseguir fazer a matrícula do meu mestrado. Bem, amanhã devo conseguir dar um basta nesse drama acadêmico e então a desculpa por essa ausência se desfez! EBA! E aqui estou. Espero que a visita cruel do tempo (han, han) não tenha enxotado vocês daí, porque estou de volta! E volto com um livro muito interessante que li esse mês.

Passeando na livraria, peguei pra ver A visita cruel do tempo por dois motivos: a capa tem uma ilustração tão bacana e o livro ganhou o prêmio Pulitzer. Isso pode parecer bizarro, mas eu considero o Pulitzer um dos prêmios gringos mais sérios e, algumas vezes, um tanto negligenciado pelas editoras brasileiras.

Quando peguei o livro nas mãos, folheei e li os burbs (que são vários e muito bem selecionados) que me conveceram. Declarações como: “Inteligente, mordaz, um livro fundador (…)” convencem a gente, poxa! Levei o bonitão pra casa e comecei a ler no mesmo dia.

O livro tem uma construção muito interessante, é fácil lembrar do cinema quando o lemos. Ele é fragmantado e bem plural, com diferentes narradores, diferentes épocas – nada linear – diferentes lugares e, por mais incrível que pareça, essa manta de retalhos funciona muito bem.

Podemos dizer que a obra tem dois grandes personagens: Bennie Salazar, um executivo da industria da música, e sua assistente, a enigmática Sasha. Em volta deles, um leque muito cativante de personagens têm suas vidas contadas e, atráves de cada vida, conhecemos um pouco mais desses dois.

Os personagens vão aparecendo ao poucos e cada capítulo se mostra um livro novo, independente, numa construção com ares pós-modernistas. Apesar do foco que recai, de alguma forma, nos dois personagens que eu citei, em vários capítulos eles não passam de meros coadjuvantes. O passado decadente de Sasha é revelado pelas memórias de seu tio e pelo relato de Rob, seu amigo mais querido da época da faculdade. A banda punk que Bennie liderava, ainda na escola, é contada por uma amiga com quem Bennie já nem tem mais contato. Dessa forma, as histórias vão se misturando e se confundindo, flashes formam o enredo e a gente termina o livro tendo que preencher lacunas com o poder da dedução. E dá pra perceber que é isso mesmo que Egan quer.

O livro me causou uma agonia pois alguns capítulos simplesmente são suspensos em seu ápice e nunca mais são citados… Cabe ao leitor deduzir o fim de Stephanie, Jules, Bosco e tantos outros. Como se o livro fosse uma obra sempre aberta e cabe a quem lê finalizá-la.

O nome dos capítulos também merece uma atenção. Nada é sem-querer na arquitetura bem planejada de Egan.

Para finalizar, dois pontos altos do livro. Amei o capítulo composto só por slides. Quando olhei o livro, antes de comprar, desconfiei muito desse capítulo, achei que não convenceria, que era uma ideia forçada da autora para parecer mais moderna. NÃO É. É um capítulo ótimo, super justificável dentro do enredo, engraçado e cheio de revelações sobre a vida familiar de Sasha (e seus filhos fofos). Outro ponto alto: o futuro. Nos passeios pelo tempo que o livro nos proporciona, um futuro próximo se desenha, como uma pequena ficção científica. Uma manobra corajosa e bem sucedida de Jennifer Egan.

Pensando bem, isso vale para o livro todo: corajoso na forma, cativante no enredo, premiado na inteligência.

Detalhes

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Editora Intrínseca, 2012.

Preço (que paguei, aqui): R$ 23,92

Curiosidades

A autora, Jennifer Egan, está confirmada para a Flip (ueba!). E a Instrínseca aproveitou a boa recepção de A visita cruel do tempo e comprou os direitos do best-seller da autora, o livro The keep, de 2007 (mais infos, em inglês, aqui)

Muita coisa massa saiu na mídia sobre A visita cruel, como esse mapa das relações entre os personagens do livro, bem interessante, e uma explicação de Jennifer sobre a construção do enredo. Tudo em inglês.

Em português, a Instrínseca liberou um guia de leitura da obra. Não li ainda, mas vale o registro!

Uma alegria!

Oi gente!

Hoje não vim falar de algo que eu tenha somente lido mas, com muito orgulho, quero falar de algo que editei.

No fim do ano passado, a editora em que trabalho, a Peixoto Neto, lançou um livro em que trabalhei muuuuitão. O livro é a correspondência de Allen Ginsberg, o famoso poeta beat, e seu pai, o conservador poeta Louis. A obra chama-se Negócio de Família, e foi, por meses, minha vida!

Inclusive, depois de pronto, trabalhei (junto com outros colegas aqui da editora) na divulgação do livro para jornais e revistas ligadas à literatura. E, olha que delícia, descobri ontem que sairia hoje uma matéria na Folha de São Paulo sobre meu filhote. E, pra meu espanto e loucura, quando abro a Ilustrada de hoje, vejo uma matéria de capa, linda, cheia de fotos de Allen e trechos do livro!!

Tô tão feliz! Sabe quando rola uma sensação de trabalho reconhecido? Estrelinha do professor na testa? Muitas livrarias ligaram pedindo o livro e mais jornais e revistas, pelo Brasil a fora, entraram em contato com a gente. =)

Tem um preview da matéria aqui, mas o conteúdo completo, só pra quem é assinante da Folha/UOL.

E, pra quem não é, aqui está o scanner da Folha.

O livro é muito bacana, gente! E tá sendo super bem reconhecido!

Teve até resenha no Meia, na época do lançamento =)

Eu, que não era nem muito fã dos beats, nem muito fã de livros de cartas, me envolvi muito e hoje sou uma grande admiradora da Geração Beat que, mais do que nunca, se posiciona com o destaque merecido no mercado editoral brasileiro!

Bem, queria só dividir essa notícia super feliz com vocês!

Beijos

=)

Resenha de Linguagem de sinais, de Luiz Schwarcz + algumas coisinhas

Como prometido (e com um pequeno atraso), quero dividir com vocês as minhas impressões sobre três dos livros que li ano passado. São eles: Criança 44, de Tom Rob Smith, Indícios flutuantes, de Marina Tsvetáieva e Linguagem de sinais, de Luiz Schwarcz — que é por onde começo.

Linguagem de sinais era para ser um romance que, por força da vida (e dos outros editores da Companhia das Letras), foi se picotando em pequenos fragmentos, transformando-se num livro de contos (11 contos, na verdade) que orbitam  em volta de temas em comum.

Na época que comprei o livro (no lançamento), eu estava meio viciada no Luiz Schwarcz. Como leitora, sou fã de muitos escritores. Como editora assistente, sou fã de muitos editores. Seus trabalhos me interessam, suas histórias, enfim… a trajetória pela profissão que amo. Eu estava lendo muita coisa sobre o Schwarcz e a Companhia quando comprei esse livro. Queria ver como anos de edição de textos poderiam se refletir na escrita. Não me decepcionei!

Lajos, o personagem central no primeiro conto (que, de uma forma ou de outra, nos acompanha por quase todo livro), descreve uma viagem de avião para Portugal. O que seria um voo normal torna-se um passeio pela vida de Lajos quando um senhor com Alzheimer impede que o voo decole. Na interrupção causada pela confusão que se instaura no avião graças a esse senhor, Lajos vai nos contanto sobre sua infância, seu casamento fracassado, sua ex-mulher, Antônia.

Antônia também é ponto fundamental na interessante arquitetura de Linguagem de sinais. Ela, nos conta Lajos, trabalhava com deficientes auditivos e era fascinada por Beethoven e Goya, bem como pela linguagem de LIBRAS, que logo reconhecemos no título do livro.

As reflexões de Lajos encontram em Antônia um enigma: ele mesmo não entende porque casou-se com ela, ou mesmo como pode estar tanto tempo nesse relacionamento. E, partindo da sua infeliz vida conjugal, ele revê suas outras relações afetuosas, principalmente como elas existiam no passado. As coisas que aconteceram e que não podem ser revividas ou mudadas ecoam o tempo todo na escrita de Schwarcz, permeando com ternura (e esse foi o sentimento que mais senti em cada conto) o pequeno livro.

Destoa muito dessa construção, o conto “O síndico”. Nele, duas garotas que dividem um apartamento sentem-se seguidas pelo síndico do condomínio. Não entendi exatamente o que esse conto faz dentro de Linguagem de sinais. Talvez valha ler novamente, daqui um tempo, e tentar apreender… mas, já digo, foi o conto que não gostei.

A surdez, o judaísmo e as relações familiares são temas centrais que, graças ao engenho do autor, ligam os pontos de cada conto. Dessa forma, é impossível ler uma história só. As narrativas se conectam de forma sutil. A escrita e Schwarcz é leve, bem fluida e, em certos momentos, atinge um tom poético encantador. Há passagens que realmente me fizeram refletir como seria o romance que fora abandonado pelo autor. Bem, não sei se um dia saberemos. Mas o que posso afirmar é a recomendação que já havia feito no vídeo a respeito do livro. A leitura é rápida, os contos são breves. A intimidade que alcançamos com os personagens é quase imediata. A linguagem de sinais, imediatamente ligada à surdez, recebe, então outra conotação. Paramos para pensar nos sinais que recebemos durante a vida, como nos comunicamos além das palavras…

Recomendo MESMO.

 

Detalhes

Linguagem de sinais, de Luiz Schwarcz.

Companhia das Letras, 2010.

103 páginas.

Preço sugerido: R$33,00

 

 

Outras coisinhas

Recebi logo cedo, por minha amiga Josi, esse vídeo FOFO, em stop motion, Já viram?

Fofura, né?

 

 

E também, recebi pelo facebook, a lista dos prováveis lançamentos de 2012 das principais editoras. A gente sabe que muito se promete, mas nem tudo se consegue cumprir quanto a prazos na área editorial. Há um monte de fatores que podem prejudicar um andamento… mas se tudo sair como esperado, os lançamentos de 2012 estão aqui, no Casmurros. (Obrigada pela dica, Katrina!).

 

É isso, gente. Ainda essa semana, as outras 2 resenhas!

 

 

 

 

 

 

Flip 2012 JÁ!

tenda da Flip, em Paraty.

Eu já estou super animada pra Flip, que rolará esse ano. A tradicional Festa Literária Internacional de Paraty fará 10 anos em 2012 e já começa prometendo MUITO.

Um dos motivos pelo qual eu estou sobremaneira emocionada é que EU VOU pra Flip em 2012. E, claro, farei toda a cobertura aqui pro blog, de primeira mão.

Aproveito pra dizer que sempre haverá notícias bacanas da Flip aqui até que o evento aconteça. Além do vai-e-vem de autores confirmados, também quero dividir com vocês minha caça às pousadas, aos lugares pra comer — que não queiram cobrar 15,00 o hotdog (já ouviram essa “lenda”?) –, e tudo mais! É só clicar na tag flip 2012, na núvem de tags aqui do ladinho pra saber de tudo.

Falando de novidades, algumas cositas já foram confirmadas pra edição de 10 anos da Festa. Já saiu até no blog da Flip que, em 2012, teremos o retorno de Ian McEwan. O autor, que já estave em terras flipenhas em 2004, volta como um dos grandes nomes da próxima edição. Seu super-master-blaster aclamado romance, Reparação, lançado em 2002 pela Companhia das Letras, virou filme e marcou a consagração do autor, que também lançou, no Brasil, pela Companhia, O inocente (2003), Sábado (2005), Na praia (2007), O jardim de cimento (2009), Solar (2010) e Amor sem fim (2011). Nunca li nada dele, mas já está na lista de 2012 PRÉ FILP. Faço resenha aqui =) Quero ler pelo menos Reparação e Amor sem fim.

Alguém aí leu algo dele? Que acharam?

Mais. Jonathan Franzen vem também. Segundo o que disse em entrevista à Folha, o autor não conseguiu dizer não ao convite de Schwacz. O último livro de Franzen, mesmo sendo um calhamaço de mais de 500 páginas, foi hit absoluto entre os leitores de todo mundo (aqui, no Brasil, saiu pela Companhia das Letras). Vai ser massa ver uma mesa com ele!

E, segundo o Estadão, a Companhia das Letras vai aproveitar bem essa exposição. “Aproveitando a Flip, a editora lança um romance antigo de Ian McEwan e dois títulos de Jonathan Franzen – o Strong Motion, de 2003, e um de ensaios, ainda não revelado, mas que possivelmente será o How To Be Alone.” (matéria inteira online, aqui).

Além dessa animação toda, Drummond será o homenageado da Festa. Olha que delícia!

(Vale lembrar que a obra TODA do Drummond será relançada pela Companhia das Letras que, deu pra gente entender, sabe jogar muito bem com essa alegria toda da Flip.)

Bem, já vale aquecer os motores, começar as leituras e ir guardando o dinheirinho… Quero FLIP já!