Meia Palavra (resenha e sorteio!)

Em março fiz algo inédito nesses meus vinte e poucos anos de leitora: li ficção científica.

E mais: decidi contar a experiência lá no Meia Palavra. Deem uma olhada, sim?

O Meia Palavra é um dos blogs mais consolidados quando o papo é literatura, com resenhas diárias, colunas delíciosas dos membros da equipe e uma seleção semanal de links muito massa. E, tchararam, abril é mês de aniversário do Meia! Em celebração, eles estão com uma promoção INCRÍVEL: basta comentar aqui e concorrer à novíssima edição de Ulysses pela Companhia das Letras + R$ 100,00 (isso mesmo, CEM REAIS) em livros na Saraiva!

Tinha que contar isso aqui =)

Boa sorte para nós e parabéns, Meia Palavra!

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Clássico é clássico. Ou não é?

É assim com livros também, não?

Muitos de nós já ouvimos falar de um famoso ensaio de Ítalo Calvino, chamado Por que ler os clássicos? que hoje está na coletânia de ensaios sobre o tema, que você acha aqui.

Eu lembro que li esse texto numa matéria do ciclo básico da graduação, chamada Introdução aos Estudos Clássicos (nosso famoso IEC). Foi o primeiro texto que o professor pediu e um dos textos que mais me marcou na graduação, porque, além de Calvino dar uma resposta aberta e inteligente para o tema, ele relativiza, em certo ponto, o conceito que parece tão rígido e pré-estabelecido: o que faz de um livro um “clássico”? E mais: “só por que é clássico, eu tenho que ler e amar?”.

Uma das coisas que lembro do texto de Calvino é que o clássico é a obra que tocou muitas pessoas e que trouxe algo ao caminho da literatura. E também é um texto que sempre vale a pena ser relido, sempre nos traz coisas novas a cada releitura.

Isso é verdade. Um “clássico” fala com jovens, velhos, homens, mulheres. Mas, o que quero levantar é: podemos ter um clássico nosso, mesmo que o livro não seja um clássico da literatura mundial? Isto é, se o livro tocou somente a sua vida, se a cada releitura que você faz ele revela algo mais, se ele enriqueceu o seu caminho, ele é um clássico seu? Cada um de nós pode ter a sua lista de clássicos?
Acredito que SIM! Muitas vezes, um livro de um autor novato, ou ainda não reconhecido pela crítica (isto é, não “clássico”), pode ser o seu clássico pessoal, se a obra conseguir alcançar a profundidade e o prazer da leitura em você. Até mesmo um livro marginalizado de algum escritor do passado, ou mesmo um autor tido como “menor” pode ser especial na sua vida.

Eu sou uma pessoa fã de clássicos canônicos (já assumi isso algumas vezes aqui). Acho importante lê-los (e até “enfrentá-los”, se preciso for), mas descobri que preciso me abrir para descobrir os meus clássicos pessoais, os livros que, independente da crítica, falam comigo com familiaridade e profundidade. E, olha, isso não é fácil. Com tantos títulos sendo lançados e relançados semanalmente, como saber qual deles é perfeitinho hoje para você?

Não existe receita. Vai ver que encontrar um clássico pessoal é como fazer uma amizade verdadeira ou viver um grande amor. Não acontece muitas vezes. Não acontece porque a gente quer. Acontece porque sim, pela afinidade entre as almas, pelos acasos da vida. E marcam nossa história. Isso não quer dizer que a pessoa que recebe o sentimento seja perfeita, mas ela era a pessoa certa na hora certa. E muitos livros são assim: as palavras certeiras no momento preciso das nossas vidas, mesmo que não sejam considerados livros “clássicos”.

Eu estou assim, toda inspirada, porque acabei de conhecer um clássico pessoal. Não quero falar muito dele agora porque ainda não terminei de ler e porque estou preparando uma resenha bem legal (mas quem quiser uma pista, vai encontrar a capa do dito-cujo no meu Pinterest, ou pode acompanhar minha impressões imediatas de leitura no twitter), mas posso adiantar que é bom demais saber que, mesmo que esse livro não seja lembrado pela crítica daqui trinta anos, ele certamente continuará me acompanhando por toda vida, por sua importância hoje, para mim.

E vocês? Já se sentiram assim (ou eu sou maluca)? Se já, diga aí, quais são os seus clássicos?

Algumas impressões: Poemas de Wislawa Szymborska

Não sei se sei fazer resenha de livro de poemas. No livro de narrativa, você tem a ação, o esquema narrativo, as personagens principais… o que quase nunca existe num livro de poemas. Nos poemas líricos não há enredos… há sensações. E são elas que ficam, mesmo após muitos dias, semanas, meses, anos… Eu não sou do tipo de pessoa que se lembra de frases, versos. Minha memória é de dar dó. Mas eu sempre me lembro de algo daquilo que leio. Nos romances, guardo com muito carinho meus personagens prediletos. Nos poemas, guardo as sensações. E como resenhar sensações? Prefiro hoje, então, dividir  impressões.

Os sentimentos do poeta passam a me habitar. É muito lindo de sentir. E senti assim com Szymborska. Comprei a coletânea de poemas dela, organizada e traduzida por Regina Przybycien, na semana em que a autora faleceu. Nessa mesma semana, li o belíssimo e delicado texto do Luciano R. M. lá no Meia Palavra e não pude deixar de me envolver com essa polonesa. Ah, e fui seduzida também pela foto da capa do livro. Lembrou-me um pouco a Hilda Hilst. Só que ainda mais sedutora. Mais misteriosa.

Minhas impressões sobre esses textos selecionados é o que quero dividir com vocês. E a mais forte de todas é a aparente simplicidade com que Szymborska compõe os poemas. Eu digo aparente porque ela parece falar de forma simples, como se fosse uma pessoa próxima, da família, porém a profundidade que as figuras poéticas criadas nesses poemas alcançam, olha, não é coisa de conversa banal.

Digo que ela parece uma pessoa próxima porque seu tom é familiar. E carinhoso. Ela divide conosco coisas que todos passamos (como em “Museu”, “Discurso na seção de achados e perdidos” e “Escrevendo um currículo”, para citar alguns escritos) sempre através de um olhar único e comovido diante dos pequenos absurdos da vida (“O currículo tem que ser curto/ mesmo que a vida seja longa”).  Esse modo único de apreender o mundo, fundamental a um bom poeta, também faz com que Szymborska capte os movimentos e transforme-os em sentimentos. E a profundidade desses eventos me comoveram durante a leitura.

“Vietinã” é um dos poemas mais fortes que já li. A guerra está ali (a realidade cruel), a mulher está ali, tudo se mistura. Na guerra, não há identidade, não há personalidade, poucos são os instintos que sobram no ser-humano já devastado. O texto é simples, qualquer pessoa entende. O significado de tudo é tão intenso, forte, como se fosse revelado ali todo o sentimento que há no mundo.  E, em poucas linhas, eu senti isso, pelas palavras, pelos olhos, de Wislawa.

Desmentindo um pouco o que disse no começo desse texto, temos nessa coletânea, alguns personagens que tomam forma e se desfazem no decorrer do poema. Professores, atores, alguns animais e a própria Szymborka são sugeridos liricamente. Mas, reafirmo, o que fica deles é a sensação, já que cada um desses personagens sente o que qualquer pessoa sente e nisso Wyslawa Szymborska se confirma como poeta universal. Tão abrangente. E, ao mesmo tempo, tão pessoal, como se estivesse do meu lado. Como se fosse minha amiga querida.

Szymborska é um dos grandes nomes da poesia mundial, e um nome ímpar na tradição literária da Polônia. Em 1996, ela ganhou o Nobel de literatura, mesmo prêmio ganho por, também polonês, poeta e autor Czeslaw Milowsz em 1980. No Brasil, Wislawa era praticamente desconhecida até a premiação, salvo algumas traduções feitas por Ana Cristina César e o aparecimento de alguns poemas traduzidos em algumas coletâneas de poesia polonesa ou eslava.

Bem, não sei se consegui explicar muito bem. Falar de sensações requer um treino e uma capacidade que acho que não tenho. Mas não poderia deixar passar em branco, aqui no blog, essa leitura tão gostosa. E não poderia colocar na gaveta as emoções que a leitura me trouxe. Precisava dividir com vocês! Essa poesia bem-humorada, aparentemente simples e intensamente profunda merece a leitura. E eu recomendo com muita satisfação!

Detalhes do livro

Poemas – Wislawa Szymborska (tradução e apresentação de Regina Przybycien)

Editora Companhia das Letras, 2011.

Preço: R$40,00 – Comprei aqui.

[AH, fiquei curiosa, vocês gostam de ler poesia???]

Poesia Suspensa: literatura nos muros da Holanda

O post de hoje é uma colaboração do tradutor Daniel Dago! Espero que gostem =)

Leiden, na Holanda, é realmente um lugar maravilhoso. Famosa por ser a cidade dos estudantes, de1995 a2005, fizeram um projeto incrível. Há espalhado por toda a cidade pinturas de poesias do mundo inteiro. Não é coisa pequena, não. São feitas em paredes enormes. E estão no idioma original (algumas têm uma pequena plaquinha com a tradução para o holandês). Um belo exemplo é a de Carlos Drummond de Andrade na Middelstegracht, nº 87:

Em língua portuguesa, além de Camões, há também Fernando Pessoa:

A de Jorge Luis Borges é uma das mais bonitas:

A de Apollinaire talvez seja a mais elegante:

Claro que tem vários poetas holandeses, como J. J. Slauerhoff:

Idiomas que não usam o alfabeto latino marcam presença, como o russo Aleksandr Blok:

O georgiano Shota Rustaveli:

O japonês Matsuo Bashõ:

Para finalizar, o paquistanês que escrevia em urdu, Nasir Kazmi:

Quase todas as fotos acima se encontram na página do projeto poesias no muro (em holandês). Outras estão na listagem do Wikipédia (em holandês).

Colaboração de Daniel Dago 

Lindo, né? Em São Paulo estamos mais acostumados com muitos grafitis, que já revelaram muitos nomes da arte de rua pro mundo, mas não ia ser nada mal encontrar uns pedacinhos de poesia na correria de SP.

O Daniel é tradutor de Holandês e está firme e forte no propósito de divulgar a literatura holandesa no Brasil. Ele também escreveu um post muito interessante no Meia Palavra sobre o tema. Vale a leitura!

Little Drops of Friday

Não, eu não morri.

Bem, na verdade, quase.

Na verdade, não. Peguei uma gripe maligna que me fez faltar no trabalho, nas aulas de russo e na vida, de forma geral. O que incluir o blog, infelizmente.

Mas hoje, já um pouco mais recuperada, quero aproveitar pra celebrar a sexta-feira com um little drops especial VÍDEOS.

Dessa seleção, excluí book trailers. Minha vontade é mostrar alguns videos com curiosidades sobre livros, animações e pequenos momentos de poesia em formato .mov (e demais formatos, óbvio).

Começando a seleção, não poderia faltar o já manjado, já amado e já premiado (foi Oscar esse ano de melhor curta de animação): The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

Fofura sim ou com certeza?

Prosseguindo no clima “abrace seu livro agora”, amo esse vídeo do diretor Spike Jonze (que também dirigiu o mais amado de todos Onde Vivem os Monstros). O vídeo foi inspirado na famosa livraria francesa Shakespeare & CO e trabalha lindamente com as capas e a vida misteriosa dos livros depois que a livraria se fecha. E fala de amor owwwwn! Não consegui achar o arquivo no youtube ou vimeo. Mas veja-o por aqui. Vale a pena!

The joy of books é um stopmotion fofinho, com livros bailando pra lá e pra cá. Ainda essa atmosfera de: enquanto você dorme, o que os seus livros estão fazendo??

This is where I live é o mais antigo dentre esses vídeos já citados. Nele, vocês verão que os títulos e as capas dos livros são bem mostradas, de propósito! O vídeo é institucional e comemora os 25 anos da editora americana 4Th Estate Publishers. Diz se você não queria uma cidade assim!

E, quem nunca sonhou em fazer um dominó com os livros da estante? Bem… só de pensar, tenho preguiça da arrumação que viria a seguir, confesso. Ainda bem que fizeram isso em vídeo o mostraram pra gente!

Pra fechar, um videozinho um tico mais técnico, mas BEM interessante (e em inglês) sobre como se faziam livros antes dos computadores. Juro que fiquei com dó do preparador de originais do passado.

Pesado esse serviço!

Espero que vocês tenham curtido! E podem dar sugestões do que seria bacana ver no little drops!

Ah, antes do adeus, um trecho de um book trailer, que é uma bronca em mim mesma: acabe já com a procrastinação, minha filha! Principalmente quando o assunto é nosso amado Da Editora!

Nada de procrastinar as leituras, hein!?

E bom fim de semana =)

Little Drops of Friday

Sexta é dia de Little drops of friday, um post bem tranquilão, pra gente ver o que saiu de bacana na semana sobre o mundo dos livros.

Pra começar, olha que graça o que a Josélia Aguiar tuítou: autores feitos de Lego!

O que é o cabelo do Mark Twain? Uma gracinha!

E tem ainda, ó:

Queria todos pra mim! Como faz?

E, pra quem curtiu a brincadeira, mais personalidades (literárias e não-literárias) no flickr do projeto, aqui.

Ah, não sei se vocês repararam, aí do lado, mas eu criei uma conta no Pinterest. Se você também está por lá, segue aí! http://pinterest.com/raqtoledo/

 

Beijos e bom fds!

 

Resenha DL de fevereiro: Ássia

Antes da resenha propriamente dita, alguns pequenos esclarecimentos.

1) Não consegui fazer o vídeo do DL desse mês. Droga, mil vezes droga. Tive problemas com a “câmera” que uso (também conhecida como celular do marido) e fiquei com uns vídeos presos lá, sem conseguir subir pro youtube ou vimeo. Bem… em março prometo que os vídeos voltam!

2) Eu tinha prometido a leitura de Anna Karênina esse mês. Não desisti de ler o clássico, só não consegui terminá-lo a tempo. Então, fui obrigada a correr para uma opção mais rapidinha e também interessante. E escolhi Ássia, do Turguêniev. Espero que vocês gostem e me perdoem pela canalhice.

Bem, eu não queria deixar de resenhar um russo esse mês, até porque somente uma representante do idioma mais difícil do mundo, Marina Tsvetáieva, apareceu aqui (e já faz tempo). Escolhi esse texto do Turguêniev porque, junto com Tolstói e Dostoiévski, ele reina entre os grandes prosadores russos do século XIX, mas não recebe tanta atenção aqui no Brasil como os outros dois. Em contraponto com Dostoiévski, Turguêniev é um escritor, podemos dizer, globalizado. Turguêniev viveu muitos anos em países da Europa e foi sempre reconhecido como um gênio por seus colegas “ocidentais” como Henry James, Zola e, principalmente, Flaubert.

Ássia mostra, em pequenas e rápidas 98 páginas, a essência da literatura de Turguêniev. Mesmo com um enredo que tem como espaço a Alemanha, a Rússia está em cada parágrafo do texto, muitas vezes debaixo de críticas veladas, outras vezes em citações de canções e textos que tocam a “alma russa”.

O narrador, também protagonista, é o russo N., como ele mesmo se apresenta, preferindo guardar sua identidade. N. viaja à Alemanha com um intento claro em sua mente: esquecer uma paixão avassaladora mas sem futuro que sentiu por uma dama a tempos atrás.

Durante uma festividade em uma pequena cidade Alemã, N. conhece Ássia (apelido carinhoso de Anna) e Gáguin, também russos que estão na Alemanha por algum motivo que N. desconhece, mas que, inevitavelmente terá que entender, se quiser realmente saber quem são esses jovens.

Gáguin, rapaz russo, de grande cultura, formado nas escolas de São Petersburgo, logo se torna um grande amigo de N., enquanto Ássia, cada vez mais misteriosa e escorregadia, cria entre os jovens uma tensão. O jeito com que Ássia se porta diante das pessoas, sua paixão pela leitura, seu desejo de “não viver em vão” e o mistério de seu passado começam a povoar a mente de N. e a prejudicar sua amizade com Gáguin.

Se for preciso definir, sim, Ássia é uma história de amor. Possui um enredo delicado e poético que nos enlaça nos misterios dos jovens personagens. Porém, essa definição é inútil quando temos na mão uma obra tão cheia de interpretações e rica em significados (como costumam ser as obras de grandes artístas, conhecedores da alma humana). Turguêniev parece querer ser sublinar. Por trás do enredo claro, vemos as mazelas da Rússia, a visão do autor sobre seu pais e a crítica ao sistema de servidão (que ele viria a atacar ainda mais claramente no maravilhoso Pais e filhos (que é de 1860-1862 e a edicão brasileira é da Cosac Naify).

O livrinho de Turguêniev me lembrou muito o livrinho de Goethe, Os sofrimentos do jovem Werther. A inspiração da estética romântica é paupável nos dois casos mas, ao mesmo tempo, essas obras conseguem tocam os leitores contemporâneos, já que não se prendem a um povo, uma época, uma história. Turguêniev e Goethe tratam de ser humano e, claramente, disso eles entendem bem. E, sem qualquer exagero, posso garantir que a genialidade literária, eles têm também, de sobra.

Resumindo: Turguêniev é o russo que você tem que conhecer e Ássia a russa por quem você irá se apaixonar.

Detalhes

Ássia de Ivan Turguêniev

Tradução de Fátima Bianchi

Ed. Cosac Naify, 2002.

Preço (salgado que só): R$ 41,00. Você acha aqui.

UPDATE Ássia está com 50% (isso mesmo, 50%) de desconto na loja virtual da Cosac, aqui. Outros títulos com o mesmo desconto, aqui! (Dica da @juju_gomes)

 

E esse marcador de páginas?

Quem gosta de ler, geralmente é bem apegado ao livro, objeto. Mesmo que a pessoa tenha lá seu e-reader, o costume de manter uma prateleira com os preferidos, um certo fetiche por edições especiais e demais objetos que envolvem o mundo do livro nunca some.

E, um dos objetos que recebe muita atenção de quem ama livros é o marcador de páginas. Quanto mais interessante, melhor: o material pode mudar (pode ser de papel, de tecido, com ímã, de metal, de elástico, de plástico…), o formato, o tema, a ilustração… Ou tê-lo é só uma questão emocional, um apego.

Guardo todos meus marcadores numa latinha que deixo na minha estante. Sempre, antes de começar um novo livro, vou à latinha, guardo o marcador do livro anterior e escolho o marcador que me acompanhará na próxima leitura. Não tem uma lógica… só escolho um (baseada em critérios nada dignos) e coloco a latinha lá em cima da estante de novo.

Também gosto de tipos diferentes de marcadores. Gosto de testar os de ímã e demais materiais. Então, ao me deparar com esse vídeo, não podia deixar de vir aqui dizer a vocês que já desejo. Eu acho que por ser uma “fitinha”, o marcador perde um tico a graça, pois fica sem estampa/desenho/etc. Mas, pelo que o vídeo mostra, a praticidade é incrível. E é um design inovador, não posso negar. E, só de olhar, já deu água na boca. Sem mais delongas, eis a belezura.

E aí? Bateu paixão? A empresa que produz é a gringa Albatros. E ele está sendo fabricado agora, após doação de pessoas que acreditaram no projeto. Quem doar pelo menos dez dólares, ganhará um kit com 6 marcadores. Quem não doar nada, pode aguardar, que jajá haverá e-commerce no site da empresa.

Bacana, né?

Resenha de A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Pacientes leitores, eu não morri, mas me ausentei do blog, muito infelizmente. Claro que os culpados são os de sempre (trabalho, correria, trabalho, trabalho…), mas tô com mais uma tarefa que está me enlouquecendo: conseguir fazer a matrícula do meu mestrado. Bem, amanhã devo conseguir dar um basta nesse drama acadêmico e então a desculpa por essa ausência se desfez! EBA! E aqui estou. Espero que a visita cruel do tempo (han, han) não tenha enxotado vocês daí, porque estou de volta! E volto com um livro muito interessante que li esse mês.

Passeando na livraria, peguei pra ver A visita cruel do tempo por dois motivos: a capa tem uma ilustração tão bacana e o livro ganhou o prêmio Pulitzer. Isso pode parecer bizarro, mas eu considero o Pulitzer um dos prêmios gringos mais sérios e, algumas vezes, um tanto negligenciado pelas editoras brasileiras.

Quando peguei o livro nas mãos, folheei e li os burbs (que são vários e muito bem selecionados) que me conveceram. Declarações como: “Inteligente, mordaz, um livro fundador (…)” convencem a gente, poxa! Levei o bonitão pra casa e comecei a ler no mesmo dia.

O livro tem uma construção muito interessante, é fácil lembrar do cinema quando o lemos. Ele é fragmantado e bem plural, com diferentes narradores, diferentes épocas – nada linear – diferentes lugares e, por mais incrível que pareça, essa manta de retalhos funciona muito bem.

Podemos dizer que a obra tem dois grandes personagens: Bennie Salazar, um executivo da industria da música, e sua assistente, a enigmática Sasha. Em volta deles, um leque muito cativante de personagens têm suas vidas contadas e, atráves de cada vida, conhecemos um pouco mais desses dois.

Os personagens vão aparecendo ao poucos e cada capítulo se mostra um livro novo, independente, numa construção com ares pós-modernistas. Apesar do foco que recai, de alguma forma, nos dois personagens que eu citei, em vários capítulos eles não passam de meros coadjuvantes. O passado decadente de Sasha é revelado pelas memórias de seu tio e pelo relato de Rob, seu amigo mais querido da época da faculdade. A banda punk que Bennie liderava, ainda na escola, é contada por uma amiga com quem Bennie já nem tem mais contato. Dessa forma, as histórias vão se misturando e se confundindo, flashes formam o enredo e a gente termina o livro tendo que preencher lacunas com o poder da dedução. E dá pra perceber que é isso mesmo que Egan quer.

O livro me causou uma agonia pois alguns capítulos simplesmente são suspensos em seu ápice e nunca mais são citados… Cabe ao leitor deduzir o fim de Stephanie, Jules, Bosco e tantos outros. Como se o livro fosse uma obra sempre aberta e cabe a quem lê finalizá-la.

O nome dos capítulos também merece uma atenção. Nada é sem-querer na arquitetura bem planejada de Egan.

Para finalizar, dois pontos altos do livro. Amei o capítulo composto só por slides. Quando olhei o livro, antes de comprar, desconfiei muito desse capítulo, achei que não convenceria, que era uma ideia forçada da autora para parecer mais moderna. NÃO É. É um capítulo ótimo, super justificável dentro do enredo, engraçado e cheio de revelações sobre a vida familiar de Sasha (e seus filhos fofos). Outro ponto alto: o futuro. Nos passeios pelo tempo que o livro nos proporciona, um futuro próximo se desenha, como uma pequena ficção científica. Uma manobra corajosa e bem sucedida de Jennifer Egan.

Pensando bem, isso vale para o livro todo: corajoso na forma, cativante no enredo, premiado na inteligência.

Detalhes

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Editora Intrínseca, 2012.

Preço (que paguei, aqui): R$ 23,92

Curiosidades

A autora, Jennifer Egan, está confirmada para a Flip (ueba!). E a Instrínseca aproveitou a boa recepção de A visita cruel do tempo e comprou os direitos do best-seller da autora, o livro The keep, de 2007 (mais infos, em inglês, aqui)

Muita coisa massa saiu na mídia sobre A visita cruel, como esse mapa das relações entre os personagens do livro, bem interessante, e uma explicação de Jennifer sobre a construção do enredo. Tudo em inglês.

Em português, a Instrínseca liberou um guia de leitura da obra. Não li ainda, mas vale o registro!