Cosac Naify com descontão — Dicas pra não se perder na promoção

Vocês devem ter visto que a Cosac Naify está com 50% em todo o seu catálogo em várias livrarias onlines e físicas (veja aqui). E pra vocês não ficaram muito malucos nessas horas que restam de compras baratíssimas, chamei alguns dos nossos blogueiros mais amados para indicarem livros pra gente se jogar sem medo de errar na escola.

Vamos lá!

  • Dicas de Pips (editor amado do meu, do seu, do nosso Meia Palavra)

A brincadeira favorita (Leonard Cohen) Cheio de citações musicais, bom humor e muita poesia – disfarçada de prosa – A brincadeira favorita é um romance que seduz e captura o leitor, antes mesmo que este possa tentar se livrar do feitiço poético de Leonard Cohen. É quase impossível acreditar que esse tenha sido o primeiro romance do poeta e compositor tamanha sua qualidade estética e prosaica. (esse copiei do meu post mesmo http://blog.meiapalavra.com.br/2012/04/17/a-brincadeira-favorita-leonard-cohen/ )

Diário da Guerra do Porco (Adolfo Bioy Casares) A narrativa desse livro é tão fantástica (nos dois sentidos de fantasioso e incrível) que não é possível desgrudar dele um minuto. Adolfo Bioy Casares mostra o choque entre duas gerações, os velhos deixados de lado, inúteis para a sociedade; e dos jovens cheios de vigor, mas vivendo em um cenário pouco atrativo. Em determinado momento, não sabemos até que ponto os acontecimentos são reais ou sonhos dentro desse universo.
Uma das sentenças mais lindas da literatura:  Na velhice tudo é triste e ridículo: até o medo da morte.
A invenção de morel (Adolfo Bioy Casares) O homem brincando de ser Deus. A eternidade ao alcance das mãos, mas uma para sempre sem uma vida real, um projeção dela. As pessoas podem ser eternas mas sem suas almas!
Através de uma escrita elegante Bioy nos entrega uma obra que aborda assuntos atemporais: o homem que quer ser Deus, a tecnologia como estopim para uma idéia de eternidade e superação das leis da natureza e o amor platônico. (também tirado do Meia http://blog.meiapalavra.com.br/2009/02/19/a-invencao-de-morel/)
Cinema, Video e Godard (Philippe Dubois) Para quem quer algum dia estudar cinema além das filmagens, além da teoria, os ensaios do Phillippe Dubois (professor da Sorbonne) são essenciais para compreender estética e linguagem da era moderna da sétima arte. Para muitos é um dos melhores estudos sobre Godard.
Hey, guys. Minhas dicas apresentam um degradê de preços, para todos os tipos de bolsos.
Guerra e paz, de Lev Tolstói Se você aguardou o ano inteiro, esperando para comprar a edição super especial desse clássico da literatura mundial, essa é a hora. Tolstói, traduzido direto do russo por Rubens Figueiredo, com capa especial para não marcar a lombada, dividido em dois volumes e impresso em papel bíblia para você carregar para todos os lados sem dó, que podem ser guardados em uma caixinha transparente bem bontininha. A tradução foi elogiadérrima no lançamento e, quer saber?, o livro está gostoso demais de ler, flui que é uma beleza. Destaque para a manutenção dos trechos originalmente escritos em francês, traduzidos em nota de rodapé: se você já se arrisca nessa língua, vai ganhando um vocabulário excelente. Fora que é o melhor bookend para a sua estante.
Moby Dick (ou A Baleia), de Herman Melville Este foi um dos melhores livros que li na adolescência. Um daqueles que, desde o começo até dias depois da leitura, você pensa “Então ISSO é que é um clássico!”; daqueles que temos certeza de que leremos novamente depois. Quando li, ainda não havia a edição da Cosac que, ouvi dizer, é fantástica – folheei algumas vezes nas livrarias e tive de me segurar para não comprar. A capa é linda, o projeto gráfico ganhou alguns prêmios e a edição não apenas apresenta uma tradução nova (feita por estudiosos de Melville e do vocabulário náutica), como também inclui um espaço para a fortuna crítica, textos que só ajudam a mergulhar mais profundamente na obra. Quer mais?
Bartleby, o escrivão – uma história de Wall Street, de Herman Melville Outro Melville em minha lista, sendo este consideravelmente mais curto (e mais barato!). Esta não é a única edição existente do livro, mas deve ser a única que oferece uma experiência de leitura à altura das frases nela contida. Você tem de descosturar a capa – que se assemelha às pastas que encontrará no escritório em que Bartleby trabalha -, além de cortar as páginas do livro – tal como se fazia antigamente, quando os livros novos vinham encerrados em mistério. As paredes sujas e cinzentas que, de início, não fazem muito sentido, ganham significado na medida em que você vai lendo a história desse homem que, o ser chamado para fazer as coisas, responde: “Acho melhor não”.  (Dica: se você for perfeccionista, dê preferência a um estilete na hora de cortar o seu exemplar.)
Menção honrosa 
A contadora de filmes, de Hernán Rivera Letelier Assim como o livro anterior, ele já foi video-resenhado pela fofa da Raquel (o video é todo bonitão, mas ela fala especificamente desse livro a partir de 1:10 http://www.youtube.com/watch?v=xg8SEzkxDGo). Eu ainda nem a conhecia pessoalmente, nem tinha alguma razão especial para confiar tanto no gosto de alguém que eu nunca tinha visto (além de, lógico, ela ser uma doçura de guria no vídeo), mas os fatos são os seguintes: eu vi o vídeo, descobri que o livro tava com um preço bacanudo num sebo da minha cidade (ainda assim estava uns 5 pilas mais caro do que na promoção de hoje), saí mais cedo pro aniversário do Gui (o mesmo que falou de Anna Kariênina neste post) para ter tempo de comprar o livro e, quando voltei pra casa, devorei numa sentada. É. Bom. Demais. Assino embaixo do que a Raquel disse no vídeo.

O Romance – A história do romance Para quem, mais do que da leitura de bons livros, gosta de aprofundar seus conhecimentos literários. O volume é gigantesco. Imenso. Enorme. É incrível constatar a reunião de tantos escritos estimulantes — e tantos intelectuais respeitados — em uma edição de mais de mil páginas. (Há algumas ilustrações ao longo da obra, e digo isso porque sei que a informação conta pontos para alguns.) Para quem gosta de Madame Bovary eO Vermelho e o Negro, de Os Miseráveis e Moby Dick, este livro é um dos mais indispensáveis: é possível constatar os arredores que envolveram a publicação de cada romance e algo sobre o teor do próprio romance (não só destes, aliás, mas de muitos outros, da mesma forma que há ensaios genéricos sobre narrativa, protagonistas, oralidade etc.). Indispensável para se ter na estante.

Virginia Woolf – A medida da vida Considerada por muitos críticos um dos melhores e mais fieis retratos da escritora inglesa, a biografia assinada por Herbert Marder é apaixonante. Utilizando como ponto de partida os diários e as cartas de Virginia, Marder compôs um panorama bastante preciso e detalhado da vida adulta da autora de As ondas. O mais incrível é que o livro é extremamente caprichado: a edição é belíssima, e a prosa não incorre, de forma alguma, no didático e enfadonho. Estamos diante de um livro que se propõe a mostrar Virginia sem emitir julgamentos; são apresentadas, normalmente em ordem cronológica, suas dificuldades cotidianas, suas crises, suas amizades (o  Círculo de Bloomsbury), seus amores, sua melancolia e seu suicídio. Indispensável para quem gosta, ou quer aprender a gostar, de Virginia Woolf.

Clarice, uma biografia Para criar uma das biografias mais interessantes da autora, Benjamin Moser pesquisou exaustivamente, como só um apaixonado faria, a vida e a obra de Clarice Lispector. Clarice, uma biografia é detalhado ao extremo. Os fatos mais marcantes da trajetória da escritora são apresentados em conjunto com o próprio contexto histórico que os possibilitou. Nada, sequer a análise de seus livros mais importantes, fica de fora. A vida pessoal e a vida profissional de Clarice são radiografados com imenso carinho e respeito por alguém que é, antes de tudo, um admirador de sua vida e obra. Não esperem distanciamento: esperem objetividade mesclada a encantamento.

O som e a fúria (William Faulkner) Um livro que assusta à primeira vista pela variedade de recursos que Faulkner utiliza no texto. É inevitável (e normal) que a gente comece se perdendo entre as descontinuidades no fluxo de pensamento dos personagens e os misteriosos itálicos. Mas depois que tudo se encaixa, fica evidente a maneira brilhante como Faulkner compreende cada personagem e cria, no conjunto, uma imagem da decadência do Sul americano. Um livro para reler sempre e ir cada vez mais fundo.

O assassinato e outras histórias (Anton Tchékhov) Não que seja difícil fazer uma seleção de ótimos contos de Tchékhov, mas acho excepcional essa edição da Cosac. Todos os textos ilustram bem a capacidade que o escritor tinha para, como poucos, capturar a complexidade da psicologia humana e a forma como ela se desenrola em nossos atos. Mas meu conto favorito mesmo é “O professor de letras”, para mim um exemplo perfeito da maneira como a infelicidade pode nascer simplesmente do tédio.

 Um, nenhum e cem mil (Luigi Pirandello) Até hoje um dos escritores mais queridos pelos italianos, Pirandello se consagrou pela maneira como mistura personagens comuns, situações cômicas e, ao mesmo tempo, sérias questões existenciais. Nesse livro as aflições do protagonista começam no momento em que percebe, pela primeira vez, que seu nariz é ligeiramente torto. Dessa observação trivial segue, no entanto, uma desconfiança total de si mesmo, que perturba a rotina de todos à sua volta e quase chega à loucura. Que eu saiba, a tradução publicada pela Cosac é a única disponível em português para essa história que interessa de leitores curiosos a psicanalistas.

Contos – Virginia Woolf Todos. Eu disse t-o-d-o-s. Todos os contos da Virgínia Woolf. Se pudermos expandir a ideia de “obra de referência” eu colocaria esse livro nela.
Mesmo sendo mais conhecida por seus romances dar uma espiadinha nos contos dessa mulher modernista (coleção linda demais) vale a pena.
A máquina de fazer espanhóis – Valter Hugo Mãe Mesmo não assinando mais com as minúsculas, Valter Hugo Mãe não deixa de passar curiosidade.
Descobrir porque o autor das letras pequenas foi elevado às grandes pela crítica é uma boa pedida.
Strange Fruit – David Margolick Você já ouviu essa música? Se não pára tudo e vai ouvir (http://www.youtube.com/watch?v=h4ZyuULy9zs&feature=player_embedded).
Esse livro conta a história de uma das músicas mais emocionantes sobre o racismo nos EUA (embora eu coloque Blackbird nesse balaio). Com a interpretação de Billie Holiday ela é de arrepiar.
  • Dica do Gui Magalhães (jornalista do Rascunho)

Anna Kariênina – Liev Tolstói Uma das obras-primas da literatura mundial, Anna Kariênina é um calhamaço dos mais prazerosos de se ler. São 800 páginas de intrigas familiares, traição, humor e muito, muito romance, sem esquecer-se do impecável retrato da aristocracia russa de fins do século XIX. Por que ler esta edição? Porque é a primeira e única brasileira traduzida diretamente do russo, pelo expert Rubens Figueiredo, que também escreve uma ótima e inédita introdução. O livro traz também uma árvore genealógica bem bacana para ninguém se perder entre os vários núcleos familiares.

Suicídios exemplares – Enrique Vila-Matas O melhor livro de contos que já li na vida. O escritor catalão aqui fala do fracasso, talvez o tema preferido de sua literatura. São dez histórias carregadas de humor, exemplares ao explorar as incertezas de seus protagonistas quanto a este ato brutal e ao mesmo tempo tão sedutor, o suicídio. A possibilidade de porem um fim às suas vidas é o que desperta nos personagens o desejo de não a abandonarem, numa narrativa irônica e sofisticada.

Os 25 poemas da triste alegria – Carlos Drummond de Andrade Esse Drummond você não vai achar em nenhum outro lugar. São 25 poemas inéditos até hoje, escritos seis anos antes de Alguma poesia(1930), primeira obra publicada de Drummond. Como se poema inédito do mineiro não fosse motivo bom o bastante pra você, os versos são acompanhados de anotações feitas pelo próprio Drummond, quando revisitou os poemas em 1937, além de comentários do amigo Mário de Andrade. Tudo fac-similar. Uma edição crítica que nos apresenta a um jovem e autocrítico Drummond, que já regava com afinco a semente do grande poeta que viria a ser.

  • Dicas da gata da literatura e minha bróder de ruivice, Izze Odeli (do Meia e o do Rizzenhas)

Como funciona a ficção (James Wood) James Wood é um dos principais críticos literários em atividade. Nem todo leitor é lá muito aficionado pela “parte técnica da coisa”, mas se tem um mínimo de interesse em saber o que faz de uma obra literária uma boa leitura, é pra esse livro que tem que correr. Wood explica de forma bem simples e objetiva todos os elementos que toda boa ficção deve trabalhar e como. Personagens, verossimilhança, foco narrativo, linguagem, enfim, ele fala o que é, como tem que ser e exemplifica bem seus argumentos.

Conversas com Scorsese (Richard Schickel) Mesmo eu que não sou lá muito ligada em cinema – e nem vi todos os filmes de Scorsese – adorei ler essa conversa. Schickel também é diretor e estudioso da área, além de amigo de Scorsese. O livro é, literalmente, uma conversa, em que o autor leva Scorsese a falar da sua infância, o início da carreira e como foi o trabalho em cada um de seus filmes. Duas coisas entre tantas outras que são ótimas nesse livro: 1- a forma apaixonada com que os dois falam sobre cinema; 2- a vontade que fica de assistir todos os filmes de Scorsese logo após terminar de ler.
Bonsai (Alejandro Zambra) Como é que pode um livro tão pequeno dizer tanta coisa e ser tão lindo? Muita gente amou Bonsai, o que faz todo o sentido já que essa é uma história de amor. Mas é uma história de amor que já começa prevendo o fim do relacionamento entre Julio e Emilia. Em pouco mais de 90 páginas o livro conta o início, o desenrolar e o declínio desse amor marcado por leituras e pequenas mentiras envolvendo literatura. Literatura, aliás, que está constantemente presente em toda a história. Bonsai é um ótimo livro para quem procura por uma leitura rápida, mas intensa.
UFA!
A diagramação desse post ficou meio sem noção, sorry! Tentei muito arrumar, mas o wordpress não colaborou. De qualquer forma, espero que ajude e divirta =D
Obrigada a todos os queridos que toparam participar! E, bem, vamos aproveitar, né?
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14 respostas em “Cosac Naify com descontão — Dicas pra não se perder na promoção

  1. Quis comprar Bartleby, o escrivão e a máquina de fazer espanhóis, mas rolou treta na compra. Botei a mão na consciência financeira e fiquei só com Foras da lei (o livro do título gigante) mesmo.

    Ano que vem me preparo melhor ❤

  2. Gee, por que não adiantam o pagamento do meu salário, rs? Tava querendo o Khadji-Murat, Conversas com Scorsese, Alexander Sokurov, O Romance… Damn, Cosac! Da próxima anuncia a data!

  3. Ontem saí da livraria cultura com o cartão de crédito estourado.
    Declaro que os culpados foram:
    – Pips (A Invenção de Morel)
    – Tuca (Guerra e Paz edição especial); (Bartleby, o Escrivão)
    – Gigio (O Som e a Fúria)
    – Luara (A Contadora de Filmes) vi um vídeo que ela cita este
    – Gui (Suicídios exemplares)
    – Izze (Foras da Lei)

    Beijo,
    Silvia

  4. Tinha muita coisa bacana, pena que a verba não acompanha o tamanho da minha empolgação literária…hehe. Acabei comprando os 2 Conversas… (Scorsese e Woody Allen), A máquina de fazer espanhóis e Bonsai. O jeito é esperar a próxima promo, né?
    bjo

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